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CONFERÊNCIA REGIONAL SOBRE MINERAÇÃO E SUSTENTABILIDADE SÓCIO-AMBIETAL

No dia 12 de dezembro de 2025, no Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional, realizou-se a Conferência Regional sobre Mineração e Sustentabilidade Sócio-Ambiental, organizada pela Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Integridade da Criação, que contou com a participação de 135 delegados provenientes das províncias da Lunda Norte, Lunda Sul e Luanda. O evento contou com a presença de representantes do Governo Provincial da Lunda Sul, incluindo o representante do Gabinete Provincial de Educação, Ordem e Segurança Interna, além do Sr. Delegado e Comandante do MININT, comunidades próximas às mesmas áreas, autoridades tradicionais, com especial destaque de Sua Majestade Rei Mwene Mwatxisengue Wa Tembo José Estévão, representantes de partidos políticos nomeadamente o Vice-Presidente do Partido de Renovação Social, Rui Malopa Miguel, Alone Zola Matuca, Secretário Provincial da UNITA e um representante do partido PRA-JA Servir Angola e organizações da sociedade civil.

O Vigário Geral da Arquidiocese, Padre Carlos Suco Bilhete, representou o Arcebispo de Saurimo, Dom José Manuel Imbamba, na sessão inaugural. Estava acompanhado pelo Padre Celestino Epalanga, Secretário Geral da Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Integridade da Criação da CEAST e pelo Padre Rui José Cariata Macongo, Coordenador Arquidiocesano de Saurimo da referida Comissão.

No seu discurso, o Padre Carlos Suco Bilhete declarou que o encontro homenageia aqueles que lutam pela dignidade, pelos Direitos Humanos e pelos marginalizados, privados dos benefícios das suas riquezas. Lamentou a dolorosa e desconcertante experiência actual, apontando a falta de sensibilidade e de políticas de inclusão que excluem milhares de jovens do mercado de trabalho, agravando a pobreza e a marginalização. Concluiu desejando que a Conferência seja um momento de reflexão e uma ferramenta para soluções, e não apenas mais um evento.

No âmbito do Projecto Direitos Humanos, Mineração e Vida, o Padre Celestino Epalanga, sj,  explicou que a conferência visa abordar a responsabilidade do Estado na gestão sustentável dos recursos minerais e na concessão de licenças de exploração, conforme os artigos 42º e 9º do Código Mineiro, que garantem o uso económico do solo, os direitos das comunidades locais e a protecção do ambiente nas províncias da Lunda-Norte e Lunda-Sul.

O objectivo da conferência foi capacitar cidadãos sobre os seus direitos e os mecanismos legais para defender os seus territórios e recursos.

Iº PAINEL- MINERAÇÃO EM ESPAÇO COMUNITÁRIOS, OBRIGAÇÕES E DIREITOS

A Conferência Regional sobre Mineração e Sustentabilidade Socioambiental dedicou um painel a temas como direitos ambientais e territoriais comunitários na mineração, o quadro legal e normativo, mecanismos de denúncia, o uso da força, desigualdades sociais (com a apresentação de um relatório), e a mitigação de impactos e consequências para as empresas.

Após intensos debates, os delegados chegaram às seguintes conclusões e recomendações.

Conclusões:

  1. A legislação sobre mineração em Angola, incluindo as leis sobre direitos ambientais e fundiários, a Lei no 97/04, de 9 de novembro, conhecida como Lei de Terra, a Lei no 31/11, de 23 de setembro, conhecida como Código Mineiro, além dos Artigos 15, 37, 39 e 98 da Constituição da República de Angola. No entanto, a Lei de Terra, como propriedade originária do Estado, se mostra um entrave para o progresso e a liberdade das comunidades locais;
  2. As queixas sobre a infração dos direitos ambientais e territoriais comunitários são vistas pelas empresas de mineração como delitos, recebendo como resposta acções policiais ou judiciais;
  3. As Empresas mineiras não fornecem materiais informativos em línguas locais, dificultando a comunicação;
  4. Todos os anos as Empresas Mineradoras prometem as comunidades em construir residências, escolas, hospitais, água, energia, emprego;
  5. As Empresas rejeitam nativos por falta de formação, mas não investem no seu desenvolvimento profissional;
  6. Angola figura entre os países mais desiguais: mais da metade da população vive abaixo da linha da pobreza (com 3,65 USD por dia), enquanto 10% concentram 58% da renda e 2/3 da riqueza.

Recomendações:

  1. As Empresas mineiras devem consultar e informar as comunidades locais antes de implementarem os projectos;
  2. As Empresas mineiras devem cumprir integralmente as suas responsabilidades sociais e legais;
  3. As Comunidades desalojadas por projectos mineiros devem ser justamente compensadas e remuneradas;
  4. Os Cidadãos devem conhecer e reivindicar pelos seus direitos quando não cumpridos;
  5. Criar uma comissão independente para queixas das comunidades;
  6. As Empresas devem assumir as suas responsabilidades para com as comunidades;
  7. Exigir o cumprimento da legislação vigente por parte das empresas mineiras.

6 thoughts on “CONFERÊNCIA REGIONAL SOBRE MINERAÇÃO E SUSTENTABILIDADE SÓCIO-AMBIETAL

  1. Na verdade os dois congresso que já se realizou,está ser muito benéfico para com os jovens em suma todos nós que participamos levamos connosco muito conhecimento.
    Prometo contribuir para o bem das comunidades.

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